PopAttack Mag #11

ZINE_11

DESIGNERS
#1

Pintura . Exposição

“Atelier-Museu Júlio Pomar”

Júlio Pomar é um dos mais aclamados pintores contemporâneos nacionais e, aos 87 anos, ganha lugar de culto com um Atelier-Museu, na Rua do Vale número 7, em São Bento. O local, anunciado 12 anos antes pelo então Presidente da Câmara de Lisboa João Soares, inaugura hoje com entrada gratuita na exposição “Em Torno do Acervo”, patente até 29 de Setembro, e uma visita guiada às 19h por Júlio Pomar.
O antigo armazém da livraria Sá da Costa renovou com a assinatura de Álvaro Siza e pretende ser “um pólo especializado sobre a obra”, como refere Sara Antónia Matos, directora do Atelier-Museu, ao Público. Pensado como um projecto a longo prazo, o Atelier-Museu irá percorrer o espólio de mais de seis décadas do pintor através de dois ciclos expositivos anuais bem como apostar na investigação, edição de textos, colóquios sobre arquitectura e colaborações institucionais com museus e universidades.

O primeiro ciclo de exposição é dedicado ao período da fase neo-realista às décadas de 1980/90 onde, por opção, foram integradas obras de menor dimensão pública “Optámos por mostrar obras menos conhecidas. As obras que ficam no meio, ou registos intermediários, são tão importantes quanto os outros, porque permitem mostrar percursos ou indicar caminhos que mais à frente são abertos” refere Sara Matos ao Público.

Atelier-Museu Júlio Pomar
Rua do Vale, nº7, São Bento
05 de Abril entrada gratuita com visita guiada por Júlio Pomar, às 19h00

Porque recomendamos

Júlio Pomar, no alto dos seus 87 anos, é um dos emblemáticos homem das artes portuguesas e, nada mais justo, que lhe dedicar um espaço que faça jus à sua dedicação por elevar a arte nacional. O Atelier-Museu (o nome é sugestivo), recuperado por Siza-Vieira, é uma forma de reconhecer o seu valioso contributo e demonstrá-lo enquanto o artista ainda o pode saborear. É um local onde habita parte da história do nosso país.


[informações, imagens e respectivas legendas via Público Cultura]

#2
Livro . Arquitectura

“Complex Simplicity”

“molded by light, [with] a deceptive simplicity about them; they are honest. They solve design problems directly…. That simplicity, upon closer examination however, is revealed as great complexity. There is a subtle mastery underlying what appears to be natural creations.”

[citação do Júri do Prémio Pritzker para descrever a obra de Álvaro Siza, vencedor em 1992]

Álvaro Siza nasceu em 1933, em Matosinhos, e é um dos nomes maiores da arquitectura portuguesa que a Taschen decidiu homenagear. “Álvaro Siza. Complete Works 1952-2013” é o livro, de 500 páginas, que reúne os 61 anos de legado arquitectónico que incluem o Pavilhão de Portugal, em Lisboa, o Bairro da Bouça e a conclusão do Museu de Serralves, no Porto, a Piscina das Marés, em Matosinhos, ou a Fundação Iberê Camargo, no Brasil.

A par de descrições exactas, fotografias e esquissos pessoais, o livro partilha as principais distinções atribuídas ao arquitecto: Prémio Pritzker (1992), o Prémio Mies van der Rohe da União Europeia (1998), a Medalha de Ouro do Royal Institute of British Architects (2009) e o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza (2012).

1

Alvaro-Siza-complete-works-

Álvaro Siza. Complete Works 1952-2013
Autor: Philip Jodidio
Editora: Taschen
Hardcover: 30,8 x 39 cm, 500 páginas, € 99,99
Edição bilingue: Italiano, Português, Espanhol

Porque recomendamos

Siza-Vieira é mestre na sua arte de transformar um simples espaço numa obra de arte e quando a Taschen o imortaliza numa das suas publicações, o arquitecto ascende ao patamar reservado aos deuses. Quase. Para que não conhece ou para quem admira este é um exemplar excelente, minucioso, detalhado e de qualidade, para guardar a obra de um dos mais influentes arquitectos do mundo. E em português!


[informações e imagens via Taschen]

COMUNICAÇÃO
#1

Moda . Música

“Saint Laurent Music Project”

Hedi Slimane empreendeu uma revolução na Maison Française aquando de se tornar o designer principal da, agora, Saint Laurent Paris, em 2012. A estética é diferente do seu antecessor, Stefano Pilati, e, sendo a sua paixão pelas artes sobejamente conhecida, não é de estranhar a aproximação ao mundo da música. A solo fez styling para Bowie, Jagger, The Libertines, The Kills e Franz Ferdinand e criou o livro Rock Diary onde fotografou inúmeros músicos de renome. Na Maison Française, depois de convidar Beck para a campanha de SS13 e Sky Ferreira, cantora, modelo e it girl americana com sonoridade e look dos anos 90, para a campanha de Pre-Fall 2013 eis que surge uma campanha onde recruta nomes de peso como Courtney Love, Kim Gordon, Marilyn Manson e Ariel Pink. Slimane fotografou e os convidados fizeram o styling das peças oferecendo uma visão entre o rock e o grunge de Saint Laurent.

Porque recomendamos

Hedi Slimane possui uma estética que, em tudo, lembra os anos 1990. A isto adiccionamos o seu love affair com a área musical e temos uma solução que, à primeira vista, parece estranha de ser aplicada à clássica Yves Saint Laurent. Com o designer e fotógrafo a Maison ganhou uma nova dimensão e a marca tornou um híbrido de luxo. Uma atitude mais arrojada marca as escolhas curiosas para protagonistas das campanhas, especialmente no que à figura de Marilyn Manson conserne – não é certamente uma “Beautiful People” que figura habitualmente em anúncios. Mas não é descabido de todo dizer que faz sentido, pelo menos, na era Slimane.

É a continuação de um projecto que integra interesses da arte com a moda e presta tributo a icónes como Kim Gordon, Courtney Love e Manson. E nós somos apreciadores de música, moda e ideias sugestivas.


[imagens via Vogue France]

#2
Livro . Fotografia . Arte . Música

“SCENE – NYC in the 80’s”

Jeannette Montgomery Barron retratou a vida indomável da Nova Iorque dos anos 80 e colocou neste SCENE as suas memórias. Foi uma altura dominada por jovens que desafiavam o limite da arte e da vida, criando as suas próprias regras e alterando a cultura de forma irremediável. Foi a época de dançar no Studio 54, no Area, no Palladium, no Mudd Club, de frequentar a Fábrica de Warhol, da vodka e fumo de cigarros a encherem os restaurantes, de nomes como Andy Warhol, Jean-Michel Basquiat e Bianca Jagger mas também de Keith Haring, Willem Dafoe, Julian Schnabel, Robert Mapplethorpe, Jenny Holzer, Cindy Sherman, Kathryn Bigelow, George Condo, William Burroughs e muitos, muitos mais.

O livro é um álbum que colecciona jovens músicos, cineastas, pintores, escritores, designers, actores, modelos, fotógrafos no ínicio do seu brilhantismo através de fotografias melancólicas e sem os lugares-comuns atribuidos aos 80.

A loja francesa Colette celebrou este lançamento com um Meet & Greet com a autora num espaço que, em simultâneo, expôs fotografias do livro e trabalhos de Keith Haring.

SCENE
Autor: Jeannette Montgomery Barron
Editora: powerHouse Books
Hardcover: 9,25 x 11,75 cm, 136 páginas, $ 40

Porque recomendamos

Há épocas e nomes que, por mais falados que sejam, possuem uma aura mística que não permite que o tema se esgote. Os anos 1980 parecem ter essa força que, não raras vezes, os faz ganhar novo fôlego e destaque na cultura contemporânea. É neste sentido que o livro Jeannette Montgomery Barron faz todo o sentido: são os anos 1980 por quem os viveu e com pessoas que os marcaram indubitavelmente. Esqueçamos as discotecas, a moda, os cabelos e pinturas extravagantes e centremo-nos apenas no essencial: jovens artistas no inicio de uma fulgurante carreira, dedicados à sua arte, despidos de qualquer artifício.


[imagens via powerHouse Books e Colette]

VITRINISMO/VISUAL MERCHANDISING
#1

Arte . Design . Música

“Fender é a cara de Hendrix”

People, Hell and Angels é o mais recente álbum póstumo de Jimi Hendrix cujo lançamento foi celebrado com um retrato especial do mítico músico americano. A Fender encomendou a Ed Chapman uma peça inspirada em Hendrix que o artista inglês transformou num mosaico construído por 4,000 palhetas da marca e que, no seu total, forma a cara do guitarrista.

Ed Chapman já havia feito outro retrato do músico, em 2011, utilizando 5,000 palhetas. O mosaico foi a leilão e adquirido por £23,000 (cerca de €27,000) com os lucros a reverterem para a Cancer Research’s Sound & Vision fundraiser.

Porque recomendamos

O trabalho não foi original, visto já ter feito um mosaico semelhante em 2011, no entanto, não podemos ignorar o trabalho exímio de Chapman ao recriar, ao detalhe, a imagem de Hendrix. Um dos pontos mais curiosos é o facto de ser feito com palhetas Fender, a marca das guitarras do músico. Óptima peça.

#2
Exposição . Fotografia . Moda

“According to Bowie”

O Victoria & Albert Museum de Londres organizou a primeira retrospectiva da extraordinária carreira de David Bowie. De 23 de Março a 11 de Agosto os detentores do bilhete mágico (a exposição está esgotada) podem explorar a vida e obra de um dos mais influentes músicos contemporâneos.
“David Bowie is” é uma experiência que promove a interacção de todos os sentidos ao percorrer cinco décadas em que Bowie foi um verdadeiro camaleão. 300 peças, nunca antes mostradas, foram seleccionadas para a exposição que inclui o body de Ziggy Stardust desenhado por Freddie Burretti em 1972, artwork de álbuns por Guy Peellaert and Edward Bell, excertos de filmes e performances ao vivo de The Man Who Fell to Earth, videoclips como Boys Keep Swinging e sets criados para a tour de 1974, Diamond Dogs. No espólio pode encontrar também itens pessoais como storyboards, listas e músicas escritas à mão, sketches, bandas sonoras, entradas de diários que revelam a evolução do seu processo criativo.

No âmbito da exposição, o V&A promove actividades várias para todas as faixas etárias: workshops, visionamento de filmes e videoclips, conferências, música ao vivo.

David Bowie is
Victoria and Albert Museum
Cromwell Road
London SW7
+44 (0)20 7942 2000

Porque recomendamos

Bowie apareceu em 1967 e manteve uma carreira prolífera, quer em termos musicais como transformações camaleónicas. Foi uma influência transversal a muitas gerações e a muitas áreas que ainda hoje persiste de forma irrefutável. Apreciadores de Bowie, tinhamos o dever de sugerir a primeira exposição organizada em torno deste génio criativo que permite explorar, de forma interactiva e dinâmica, a sua evolução mas também o panoram musical, o ambiente político e cultural de determinadas épocas. As actividades são um plus pelo interesse que despertam – as crianças são convidadas e explorar os workshops e as conferências têm oradores de luxo. Mesmo os não apreciadores sentir-se-ão fascinados. Mas esta exposição não é para todos: reservado apenas a quem já possui o (esgotado) bilhete.


[Imagens via V&A David Bowie is]

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