[Artigo] 3D Printing: What’s New?

A impressão 3D é uma das tendências mais exploradas este ano e a sua aplicação é reportada a várias áreas de actuação. Quer se tratem de objectos de porte pequeno, médio ou grande, de uso no planeta Terra ou no seu satélite natural, as grandes invenções estão agora a ser reveladas.

No artigo “Tendências 2013 – Impressão 3D: Tudo o que imagina é real” haviamos explorado o que era a impressão 3D e os primeiros passos já conhecidos. Mas, à velocidade que o mundo avança, muito já foi apresentado desde então.

A Oriente tudo de novo! O FabCafe, em Tóquio, quis oferecer um São Valentim inesquecível aos seus consumidores e dinamizou workshops (cerca de 48€ por inscrição) onde os participantes teriam a sua cara impressa em chocolate. A imagem era capturada por um scan 360º e impresso em 3D. Os moldes ficaram guardados para que, de futuro e caso queiram, possam imprimir mais chocolates que são a sua cara.

O café Shibuya, através dos anteriores workshops, promoveu também que os seus consumidores surpreendessem a sua cara-metade oferecendo gomas impressas com o formato dos seus corpos. Foram seleccionados nove homens que tiveram os seus corpos passados a scan e impressos em gomas de diferentes cores e sabores.

Enquanto os japoneses centram as novidades desta técnica em construir guloseimas personalizadas, os ocidentais diversificam a sua área de aplicação e procuram aplicar a mais valia da tecnologia de impressão 3D na construção de carros, casas, etc.
A equipa do site de pesquisa e projectos DIY, Instructables, http://www.instructables.com/), levou o seu revivalismo ao nível de produção em massa de LP’s criando, o que poderá ser, o primeiro vinil de impressão 3D. Amanda Ghassaei escreveu o código que transforma qualquer ficheiro audio num ficheiro 3D que pode ser impresso através de uma impressora Objet Connex 500 3D de alta resolução. O processo foi documentado com detalhe na página “3D Printed Record”.

Os LP’s existentes através deste processo assemelha-se mais com protótipos do que com produtos finais dadas as limitações que ainda existem. No entanto, este é mais um passo na direcção de diversificar as capacidades desta nova tecnologia.

Da música para a moda, a estilista holandesa Iris Van Herpen apresentou, em 2010, a colecção Primavera/Verão 2011 sob o tema “Crystallization” onde introduziu um vestido impresso em 3D. Da colaboração entre a designer de moda, a empresa nova iorquina MGX by Materialise e o artista Daniel Widrig surgiu a primeira de três peças imaginadas a partir da transformação da água em cristais e que foram mostradas na Fashion Week de Londres, em Setembro de 2010.

Para 2013, Van Herpen apostou novamente nesta tecnologia para criar peças mais estruturadas e inovadoras. Em colaboração com o designer americano Neri Oxman e a arquitecta australiana Julia Koerner, apresentaram, na Fashion Week de Paris, uma colecção de 11 peças algumas de impressão 3D. A impressão foi feita utilizando materiais rígidos e suaves: “A capacidade de variar suavidade e elasticidade inspirou-nos a criar uma “segunda pele” para o corpo que age como uma armadura em movimento.” referiu Oxman “Desta forma, fomos capazes de projectar não só a sua forma mas também o seu movimento.”

E se falamos de moda nunca poderiamos excluír Dita Von Teese, a dançarina do burlesco que apresentou no Ace Hotel, durante a Semana da Moda de Nova Iorque, um excêntrico vestido surgido a partir da impressão 3D. Criado pelo designer Michael Schmidt, o mesmo que desenhou o vestido de Legos para Fergie no Kids’ Choice Awards 2011, e pelo arquitecto Francis Bitonti, este reclama ser o “primeiro vestido de impressão 3D completamente articulado”. A elegante e extravante peça foi desenhada com a diva do burlesco em mente e bebendo inspiração na Sequência de Fibonacci para conseguir alcançar o movimento desejado. O maior desafio foi trabalhar com um material plástico e rígido de forma a que ficasse fluído e moldado ao corpo de mulher.
Para a impressão das 17 peças contactaram a Shapeways, empresa especialista nesta área. Cada um dos componentes é oco permitindo assim, que a peça seja extremamente leve dado o seu tamanho (pesa apenas 5kg contra os normais 36.36kg que Dita costuma usar): “Definitavemte queriamos uma forma exagerada. Quando as pessoas perguntam se é confortável eu digo “Bem, eu gosto de formas exageradas por isso o corset é agradável e apertado.” A única coisa sobre a qual estava mais consciente era o meu salto ficar preso na bainha, mas isso não aconteceu” refere a diva.

A excêntrica peça foi finalizada levando uma pintura de preto mate e sendo adornada por 13,000 cristais Swarovski. O vestido estará em exposição nas lojas Swarovski e, posteriormente, poderá ser visto em diferentes museus mas uma coisa é certa, ninguém o voltará a usar.

No campo desportivo, a Nike criou as botas “Vapor Laser Talon” através da impressão 3D prometendo uma melhor performance a nível da aceleração e velocidade dos jogadores de futebol americano. Segundo a marca de desporto, as botas podem melhorar as “40 jardas”, a medida padrão utilizada por olheiros para avaliar a velocidade e habilidade do jogador: “O novo produto Nike de impressão 3D permite aos atletas de futebol manter as suas posições de forma mais duradoura e eficiente ajudando-os a acelerar rapidamente através do ponto crítico das primeiras 10 jardas até às 40” refere Michael Johnson “Traduzindo para o jogo de futebol, dominar o ‘Passo Zero’ pode significar a diferença entre o jogador de linha defensiva ultrapassar o quarterback ou ser bloqueado.”

Esta é a primeira placa de pitons impressa em 3D. Construída através da tecnologia Selective Laser Sintering (SLS) utiliza lasers poderosos que fundem pequenas partículas de materiais numa forma tridimensional e, graças a este processo, os designers da Nike conseguiram chegar a um protótipo muito mais rapidamente do que utilizando o processo regular. À medida que aperfeiçoavam o produto, as alterações eram aplicadas numa questão de horas ao invés dos meses necessários no processo tradicional e com custos muitissimos inferiores. Shane Kohatsu, Director da Nike Footwear Innovation refere “A tecnologia SLS revolucionou a forma como criamos as placas dos pitons e oferece à Nike a possibilidade de criar soluções que não seriam possíveis sem os constrangimentos do processo tradicional da manufactura.”


imagens via Nike

De pequenos objectos falemos agora de grandes e mais complexos como aquele que a a RedEye On Demand, em parceria com a companhia de impressão 3D Stratasys e a KOR EcoLogic, está a construir: um carro eficiente que promete revolucionar o sector automóvel. O URBEE 2 é construído a partir do protótipo lançado em 2010 pela KOR EcoLogic e contará com três rodas, lugar para dois passageiros, 40 grandes partes termoplásticas, em detrimento das centenas que os carros normais usam, e irá pisar o asfalto dentro de dois anos.
Quando estiver pronto para testes, os designers planeiam fazer uma viagem de São Francisco a Nova Iorque no URBEE 2 gastando apenas 45 litros de biocombustível, como o etanol.
“Um futuro onde impressoras 3D constroem carros pode não estar assim tão distante” refere Jim Bartel, Vice-Presidente da RedEye On Demand. “Jim Kor e a sua equipa na KOR EcoLogic tinham uma visão para um carro mais eficiente que mudaria a forma como o mundo aborda a manufactura e como, actualmente, a alcança. O URBEE 2 mostra ao mundo manufactureiro que, realmente, tudo é possível.”

Se o carro um dia cruzar as ruas de Amesterdão não pode deixar de admirar a, possível, primeira casa impressa na mesma técnica que o veículo. O estúdio holandês DUS Architects projectou o plano de construção de uma habitação no canal com componentes impressos pela KamerMaker, uma impressora especialmente construída para este efeito, que começará a produzir nos próximos seis meses, contando a partir de Março. A máquina tem 3,5 metros de altura e irá imprimir os componentes finais numa escala de 1:1.
“Este ano queremos imprimir a fachada completa e o primeiro quarto” referiu o arquitecto Hedwig Heinsman em entrevista à Dezeen “Depois, nos meses e anos seguintes, iremos imprimir os restantes quartos.”
A habitação será construída no norte da cidade e servirá para ponto de pesquisa sobre arquitectura de impressão 3D. Como refere Heinsman “É muito sobre testar e aprender.” Cada espaço é dedicado a um tema de pesquisa específico, como “Sala de Cozinha” onde os investigadores vão explorar a impressão 3D com fécula de batata ou a “Sala de Política” onde vão estudar como obter licenças para as estruturas impressas. Outros espaços serão dedicados a dinamizar workshops ou a testar garrafas de plástico para futuro material de uso na KamerMaker.


imagens via Dezeen

Mas se os arquitectos holandeses quiserem ser os primeiros nesta área vão ter de ultrapassar os projectos, já anunciados, de uma firma sua conterrânea, a Universe Architecture, e outra sediada em Londres, o colectivo Softkill Design.
A competição que impulsiona uma panóplia de objectos impressos nesta técnica não se reporta apenas a projectos terrestres. Porque o nosso planeta já é pequeno demais para tudo o que esta inovação proporciona, duas agências de arquitectos fizeram propostas para construções lunares.

A Foster+ Partners empresa de arquitectos londrinos, encontra-se a trabalhar com a Agência Espacial Europeia no sentido de investigar métodos de construção de casas lunares. A equipa de arquitectos desenhou uma residência para quatro pessoas e equipada para servir de abrigo contra as diferentes contradições da natureza que possam sofrer – dramáticas alterações de temperatura, queda de meteoritos, raios gama, etc. A estrutura básica da casa será insuflável e um robô munido de uma impressora D-Shape irá utilizar solo lunar, conhecido como regolito, para construir em seu redor uma estrutura semelhante a espuma leve, derivada de estruturas biológicas comumente encontradas na natureza.
Xavier De Kestelier, especialista e parceiro da Foster+ Partners refere sobre o processo “Estamos habituados a desenhar para climas extremos na terra e a explorar os benefícios ambientais de utilizar o que existe no local, materiais sustentáveis. As nossas habitações lunares seguem uma lógica similar. Tem sido um processo de design fascinante e único impulsionado pelas possibilidades inerentes ao material.”

A (também) empresa de arquitectos londrinos, A-ETC (http://www.a-etc.net/), desenhou a SinterHab, uma proposta para uma base modular a construir no Pólo Norte lunar. A equipa, constituída por Tomas Rousek, Katarina Eriksson and Dr. Ondrej Doule, em parceria com a NASA Jet Propulsion Laboratory desenhou uma estrutura composta por módulos de impressão 3D feita por aranhas robôs gigantes e utilizando energia solar e pó lunar. A inspiração vem das bolhas que se formam na natureza. Os diferentes módulos podem ser ligados entre si e a estrutura fica estável através de ligações naturais entre partículas aquecidas à temperatura correcta.
A equipa explica que, “No futuro, poderemos construir cidades inteiras na superfície da lua utilizando energia solar. […] Conseguimos diminuir de forma significativa os custos e o impacto ambiental se não precisarmos de enviar cola ou outros agentes de ligação da Terra.”

A impressão 3D tem ganho cada vez mais expressão transversal a todas as áreas. Promete ser uma mais-valia na indústria manufactureira onde reduz os custos e desperdícios de matéria-prima mas também permite a reutilização de materiais reciclados e outros tantos de maior eficiência. Quer no planeta Terra ou na Lua, esta técnica de produção promete não ter limitações. O futuro é hoje!

Fontes:
PSFK “3D printer turns body scans into edible gummi candies
Dezeen “Amsterdam Architects Plan 3D printed house
Dezeen “Road-ready 3D-printed car on the way
Mashable “3D-Printed Record Plays Like the Real Thing
Nike PA “Nike debuts first-ever football cleat built using 3D printing technology
Dezeen “Voltage by Iris van Herpen with Neri Oxman and Julia Koerner
Mashable “Dita Von Teese Debuts 3D-Printed Dress
Dezeen “Foster + Partners to 3D print buildings on the moon
Dezeen “Space architects plan 3D-printed lunar base
Dezeen “Crystallization by Iris van Herpen, Daniel Widrig and .MGX by Materialise

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