Montras “Narciso”

A entrada no Novo Ano iniciou com um projeto de montras para a área premium do Freeport. Inspirada pelas reflexões e desejos que acompanham a ingestão das doze passas e os brindes de champanhe, a Vitrinista PopAttack desenvolveu o tema “Narciso”. A preocupação com a imagem é o central: “Olhamos para nós próprios, vemo-nos ao espelho no intuito de nos conhecermos melhor e mudarmos algo no ano seguinte.”
Desde o inicio do conceito à implementação, a Vitrinista PopAttack apresenta todos os passos.

1. O conceito
“Algo que faça a diferença e que crie uma reação no cliente.”

Iniciar um novo projeto é sempre algo de entusiasmante. Somos estimulados a desafiar as nossas capacidades criativas e tornar real “algo que faça a diferença e que crie uma reação no cliente.” Ao receber o briefing a nossa vitrinista dá inicio à primeira fase: elaborar um conceito. O mesmo deverá ter em conta diferentes e importantes aspetos – temática, história, relevância/timing, imagem das marcas representadas, destaque do produto e objetivos do cliente serão as principais.
Os temas da nossa vitrinista “são sempre baseados em análises e observações quotidianas do que se passa a nível não só de mercado mas também de comportamento e hábitos sociais.” Em Janeiro, a inspiração para as montras veio com uma das principais tradições de Ano Novo: resoluções. Uma das mais populares gira em torno de “emagrecer” o que nos remete ao culto da imagem. E o que melhor representa esta obceção, tão atual nos dias de hoje, como a história de Narciso? “Narciso veio da associação que fiz ao facto de que todos nós tendencialmente fazermos uma auto análise refletiva com a passagem de ano. Olhamos para nós próprios, vemo-nos ao espelho no intuito de nos conhecer-mos melhor e mudarmos algo no ano seguinte. Estas montras foram uma transposição dessa introspeção/reflexão.”
Depois de um tema sólido, construímos uma história tendo em mente palavras-chave, como por exemplo “beleza”, “vaidade”, “auto-estima elevada”, “valorização pessoal” e “reflexo no espelho”. Quando juntamos todos estes elementos concebemos a narrativa onde as personagens principais se estão a preparar para uma saída. Vendo as suas imagens refletidas no espelho experimentam diferentes looks até alcançarem aquele que os valorize na sua plenitude.
Tudo aqui convive em perfeita harmonia e respeita os pontos que haviamos destacados como principais:

Temática – Narciso, culto da imagem;
História – Individuos que vão sair à noite escolhem o melhor look;
Relevância/Timing – “Ano Novo, Vida Nova”, desejos de um novo
Imagem das marcas representadas – Urbanas, contemporâneas, ditam tendências;
Destaque do produto – As roupas e acessórios enaltecem o aspeto do individuo;
Objetivos do cliente – contar uma história com destaque ao produto, criar sensação de desejo no consumidor;

Primeira parte “check”. Na segunda parte vamos procurar inspiração.

2. Pesquisa
“crio mood boards que me ajudam a explicar e definir o que quero transmitir e as coisas começam a encaixar e a ganhar forma”

Para entrar no espírito do conceito, a nossa vitrinista faz sempre uma “pesquisa aleatória e simbólica de tudo o que me possa ajudar a criar uma história e uma imagem que me ajude a transmitir o conceito.” Pesquisa é aqui a palavra de ordem. Procurar em diversas fontes (sites, blogs, artistas, músicos, videoclips, livros, revistas, etc.) elementos que permitam criar um quadro que transmita o pretendido – isto é o moodboard. “Faço uma selecção e triagem, crio moodboards que me ajudam a explicar e definir o que quero transmitir e as coisas começam a encaixar e a ganhar forma.”

moodboard

3. Elaborar a proposta
“croquis, desenho técnico pormenorizado”

Plena de inspiração, a vitrista parte para a definição da proposta: seis personagens encontram-se no quarto de vestir a escolher o melhor look para uma saída à noite. O espelho é o objeto perfeito para tornarem o culto do “eu”. Neste ponto é fazer a simulação de como será a transposição da ideia para o real, onde entra a “parte técnica: croquis, desenho técnico pormenorizado e detalhado com tudo o que é necessário para a montagem.”

Passo seguinte, fazer uma listagem dos elementos necessários para comporem o décor:
– 6 manequins;
– 6 espelhos: 3 de redondos de rosto e 3 de pé alto, corpo inteiro;
– Cadeiras;
– Cabides;
– camarões;
– fio de arame com segurança para sustentar os espelhos redondos.

Tudo organizado. Internamente, thumbs up!
Será que o cliente vai aprovar?

4. Envio da proposta e espera.
“ser flexível para adaptar”

Depois de ser enviada a apresentação é um tempo de espera em que ficamos sempre na dúvida se o cliente vai gostar ou não. Obviamente, queremos que o projeto seja aprovado mas, como refere a vitrinista PopAttack, “É importantíssimo ter em conta o que é que o cliente deseja e ser flexível para adaptar as ideias e o projecto. Porque nem sempre os recursos disponíveis são os idealizados. Eu vejo isso como um desafio ainda maior. Criar com poucos recursos, ou recursos improvisados e saber adaptar.”

5. A resposta + montagem e execução
“Os detalhes fazem a diferença”

E chega a resposta: aprovado! A vitrinista ficou “feliz e motivada para a concretização”, uma fase onde é importantíssimo o trabalho de equipa. Três pessoas e três dias foram necessários para concretizar as montras, “um trabalho de detalhe e dedicação. Os detalhes fazem a diferença e é o que torna as montras premium.”

Dia 1. Seleção das peças de roupa e acessórios para décor

O primeiro dia é reservado para a escolha das peças que irão compôr os looks dos manequins e dos acessórios de decoração que irão criar o ambiente. E, no momento imediato a que se inicia a pesquisa no terreno, podemos deparar-nos com desafios que, a vitrinista PopAttack refere consistirem em “cumprir o trabalho pedido nos deadlines propostos, encontrar os materiais necessários para a concretização dos desenhos o mais aproximadamente possível e saber adaptar rapidamente caso não tenhamos acesso a algum elemento anteriormente definido. Mais uma vez friso a importância da flexibilidade e capacidade de adaptação do vitrinista. É importante passar a mensagem mas também saber “escrevê-la com outras palavras mas com uma mesma fórmula e intenção” para que ela se mantanha “legível”por parte do cliente.”
Primeiro, a escolha dos coordenados para vestir os manequins. Tudo é feito no Freeport, por entre as lojas das marcas de cada montra – Hugo Boss, Gate One, Versace, Spazio Dolce & Gabbana, Roberto Verino e Diesel (em colaboração com o vitrinista da marca). A escolha das peças é feita mediante a identificação com a marca e as últimas tendências.

De seguida passamos à escolha dos elementos decorativos – 6 espelhos e alguns sofás, cadeiras ou bancos – também realizada por entre as lojas de Home Décor que existem no Freeport.

Nesta fase não existiram grandes constrangimentos. O dia chegou ao fim.

Dia 2. Início da execução
Se o primeiro dia foi dedicado à logística, o segundo é reservado à execução das montras. É um processo moroso que implica organização, ritmo de trabalho constante e um esforço de equipa coordenado.
Primeiro é aplicado o vinil de background. De seguida, a equipa veste os manequins. Quando finalizado o look colocam os elementos decorativos como explicitado na proposta para cada montra. Cada mostruário demora algum tempo a ser concebido pelos cuidados inerentes a ter em conta quando se realiza um projeto em que o detalhe é de extrema importância. Luzes, acessórios, conjungação das cores, disposição dos elementos no espaço e destaque de produto, tudo tem de estar perfeito para criar o ambiente que conte a história e desperte desejo.

Dia 3. Finalização da execução e limpeza
Para o terceiro dia reserva-se a continuação do processo anterior repetido até o espaço ganhar a sua história nas montras em falta.
O dia vai a meio quando todos os manequins estão vestidos e os elementos de decoração colocados no lugar. Passamos agora à fase de finalização, onde aguçamos o olhar para permitir que entrem os detalhes que fazem toda a diferença. Revêm-se as roupas e acessórios dos manequins, penteiam-se os cabelos, reforçam-se os fios que suportam os cabides, verifica-se a colocação do vinil, melhora-se o posicionamento das luzes, colocam-se os preçários, procede-se à limpeza do espaço.

Uma última revisão dos mostruários dá por terminado a fase de execução. Terceiro dia: missão cumprida!

6. As montras e considerações finais
“Nada é ao acaso”

As montras estão agora em exposição no espaço Premium do Freeport. Foi um trabalho moroso que envolveu fases de definição de conceito, pesquisa de materiais, desenvolvimento da proposta e execução mas, no final, os objetivos foram cumpridos porque, como refere a nossa vitrinista “nada é ao acaso, tudo é pensado e trabalhado e isso requer uma atenção redobrada desde a escolha de produto até à própria disposição, a colocação e apresentação do produto em questão.”

Lançamos o desafio: veja o resultado final ao vivo.

We will pop you soon!

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