Tendências 2013 – Impressão 3D: Tudo o que imagina é real

Novas tendências marcam o começo do novo ano e, apesar de parecem futurísticas, a realidade é que existem no presente. A impressão 3D já vem dando os seus passos há algumas décadas mas será em 2013 que se dará a conhecer ao grande público. As principais conquistas desta tecnologia são liberalizar a manufatura, permitindo que mais pessoas possam produzir objetos, personalizáveis e de baixo custo.

Quando Júlio Verne escreveu sobre o foguetão foi revolucionário. Que ideia monstruosa! Pensar que o homem poderia ir à Lua era algo de extraordinário que só a ficção científica poderia apresentar. A 20 de julho de 1969 Armstrong pisava solo lunar e a ficção tornava-se real.
As invenções fizeram avançar o mundo a passos mais ou menos consistentes mas foi o aparecimento do computador que veio precipitar o futuro. O que nos liga intimamente a uma das novas tendências do design para 2013. Poder imprimir um objeto a partir de uma imagem digital é algo que, ao comum dos mortais, ainda pode parecer bizarro mas para designers, engenheiros e arquitetos é uma das mais poderosas ferramentas com que têm trabalhado há alguns anos. Estes profissionais utilizam a técnica de impressão a 3D para produzirem protótipos de forma rápida, mais pormenorizada e barata do que a maneira tradicional. A empresa britânica de design 00:/ criou a WikiHouse, uma plataforma que permite desenhar, fazer o download e partilhar templates de casas que são impressos através de uma impressora 3D. Este é o primeiro protótipo de casa construída com, todas as partes, impressas nesta técnica:

Mas nem só de protótipos se pode falar. Muitas empresas já adotaram esta nova forma de impressão para efetuarem produtos finais. A marca de sapatos Melissa, por exemplo, imprime em 3D as suas colaborações e práticas ecológicas. Graças a esta técnica pôde tornar real as coleções exclusivas dos arquitetos Gaetano Pesce e Zaha Hadid (a mais difícil de reproduzir segundo um representante da marca), dos designers Irmãos Campana, Vivienne Westwood, Jason Wu e, para este ano, de Karl Lagerfeld.

(imagens via Melissa)

A Bespoke Innovations utiliza a impressão 3D para ajudar amputados a ganharem novos membros. A empresa faz próteses personalizadas que custam entre $4,000 (cerca 3,050.40€) e $5,000 (cerca de 3,813.00€).

Estes exemplos são ilustrativos e vêm comprovar o que Terry Wohlers refere no artigo “The Printed World”, no The Times. Segundo o diretor de uma empresa de investigação especialista nesta área, atualmente, mais de 20% dos produtos criados por impressão 3D representam produtos finais e não tanto protótipos. Este ponto é revelador da alta qualidade do produto final, que poderá ser concebido em horas ou poucos dias. Até 2020, prevê que esse número cresça em 50%.
Um tal incremento muito se ficará a dever à possibilidade de qualquer pessoa poder imprimir no conforto do seu lar. A MakerBot é uma empresa que fabrica impressoras 3D desde 2009 e, até ao momento já vendeu quase 13,000. Com o Replicator 2, a empresa espera conseguir chegar às grandes massas. Esta máquina, da quarta geração, promete ser a “ferramenta mais fácil, rápida e acessível para produzir modelos profissionais e de qualidade”. Com um valor base de $2,199.00 (cerca de 1,677€), podendo ser aumentado com a customização da máquina, o Replicator 2 serve para produzir objetos em materiais amigos do ambiente, enquanto o Replicator 2X, com um valor base de $2,799.00 (cerca de 2,134.50€), pode imprimir objetos mais pequenos mas mais sofisticados que a anterior. No presente, este negócio representa ainda um nicho de mercado e estas máquinas serão o primeiro passo para a massificação. Dentro de alguns anos, quando as impressoras 3D forem verdadeiramente exploradas pelos grandes players do mercado (HP e Epson, por exemplo), o preço descerá abruptamente e serão vendidas em locais de grande consumo. Nessa altura ocorrerá a real massificação – todos os habitantes do planeta terão o poder de criar.

Se o investimento para adquirir uma máquina deste género não é muito alto, também o não é mexer com o software. Na realidade, ele foi criado para ser algo de simples compreensão na complexidade das suas capacidades de artesão. Como funciona? Primeiro, há que criar uma imagem digital que o software irá examinar a fim de determinar como produzir de forma mais económica, em termos de tempo e material. Irá verificar, por exemplo, a grossura – qual a suficiente para não desperdiçar muito material mas ser a essencial para o objeto ter qualidade. Outro ponto interessante é o software avaliar o interior do objeto e a necessidade de efetuar alguma impressão de estrutura para o não fragilizar. De seguida, o software divide o objeto em layers tão finos quanto a impressora consegue gerir. A cabeça da impressora irá mover-se na área de construção, depositando material e fazendo a construção de cada layer até emergir o objeto, cada vez mais, real. A Shapeway gravou este processo para uma experiência mais imediata do consumidor:

Estas máquinas são o primeiro passo da revolução que opera na produção manufatureira por permitirem ao cidadão comum ter um objeto tão poderoso nas suas mãos e concederem um desejo que muito almejam: personalização. A atual economia de escala implica uma produção massiva de artigos para que a empresa consiga obter lucros e ter preços mais acessíveis na venda ao público. Caso exista uma coleção exclusiva ou a oportunidade de personalizar uma peça, o preço dispara significativamente. É neste ponto que a impressão 3D tem outro valor – opera num sistema micro com um design flexível. Toda a conceção do objeto final será do consumidor que, neste ponto, se torna também produtor, e por mais desafiante que seja o design a máquina é capaz de recriar. O valor dessa unidade será baixo mas também inalterável face às restantes unidades produzidas a seguir. Neste sentido, se a intenção for produção em massa, a forma tradicional de o fazer será sempre mais barata porque o molde já está feito e é apenas multiplicar. No caso da impressão 3D, tudo é feito a partir do nada.
Neste sentido, as máquinas 3D caseiras servirão para peças individuais reservadas a uso pessoal ou oferendas/vendas em pequena escala. Se for comerciante ou artista e o intuito é vender terá de recorrer ao velho sistema. Caso não tenha uma impressora 3D, como ainda é o caso, mas queira ter um objeto personalizado, existem empresas especializadas tal como a Ponoko ou a Shapeways neste género de impressão. A Shapeways é uma empresa americana que opera neste ramo, tornando imagens virtuais em objetos reais produzidos em variados tipos de materiais e ganhando diversos formatos. O sistema de pedido é simples: ter a ideia, desenhar no computador, fazer o upload para a Shapeways, escolher o material e receber, no imediato, o orçamento, encomendar e, poucos dias depois, receber no conforto do seu lar, o artigo exclusivo. Todos os meses, a empresa imprime mais de 10.000 artigos personalizados que envia para todas as partes do globo. Tanto para privados como para negociantes venderem nas suas lojas.

(imagens via Shapeways)

Também a MakerBot conseguiu visionar o potencial deste mercado e abriu uma loja física em Manhattan. É um ponto de venda para as novas máquinas e inclui uma “mini fábrica” para que as pessoas possam ver os objetos ganharem vida. Os mesmos podem ser comprados.

A impressão 3D oferece então um sem fim de possibilidades, quer para privados como para coletividades. É uma área de negócio em expansão e, como anteriormente referido, muitas empresas já apostam em oferecer serviços relacionados com produção de artigos 3D. Mas esta nova área implica um benefício e um decréscimo para tantas outras. O monopólio do tradicional sistema de manufatura sentirá uma enorme quebra. No pólo oposto existem as indústrias que pouparão alguns milhões. Tomemos por exemplo o mais recente filme da saga James Bond onde os produtores utilizaram uma réplica, em menor escala, do Aston Martin DB5. O icónico carro foi utilizado numa cena plena de efeitos especiais e explosões. Ao utilizarem um modelo feito em 3D conseguiram poupar milhões de dólares que não explodiram com o verdadeiro. Uma das três réplicas reproduzidas nesta técnica foi vendida em leilão conseguindo alcançar mais do que o valor real do carro.

(imagens via SlashGear)

Na indústria do Retail novos produtos surgirão com maior força e interesse por parte dos consumidores. São originais, criativos e passíveis de serem feitos à medida. Mobiliário, vestuário, acessórios, peças decorativas, peças de arte, lojas pop up mas também peças para a indústria automóvel, aeronáutica e medicinal, por exemplo, são infinitas as possibilidades.

De forma global, a excelência desta tecnologia reside em três fatores:

1. Tempo – produzir um objeto em 3D pode demorar horas ao invés de dias ou semanas, como no caso tradicional.
2. Flexibilidade do design/poder de personalização – Cada pessoa poderá assumir o papel de criador e obter um produto exclusivo. Esta demanda pela originalidade corresponde a um pedido cada vez mais assumido pelos consumidores que querem ser únicos. O design poderá ser alterado vezes sem conta sem que exista limite à imaginação.
3. Investimento monetário – É mais barato produzir uma peça em 3D do que efetuá-la pelos trâmitos usuais isto porque a economia de escala obriga a que se produzam artigos em massa. Um utilizador da impressão 3D pretende o inverso e, para obter apenas um artigo exclusivo, o sistema tradicional inflacionaria em muito o preço.

O futuro próximo será marcado pela imaginação. Com a impressão 3D o pressuposto não poderia ser mais simples: se imaginar, existe!

Fontes:
The Economist “The printed world”
Wired “The New MakerBot Replicator Might Just Change Your World”
Smithsonian “These Shoes Are Made For Printing”

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: